Quando hospitais também formam médicos
Antonio José Gonçalves, presidente da Associação Paulista de Medicina
Antonio José Gonçalves, presidente da Associação Paulista de Medicina
A formação médica no Brasil começa a viver uma transformação silenciosa, mas relevante. Grandes instituições de saúde passaram a investir não apenas na assistência, mas também no ensino, aproximando a sala de aula da prática hospitalar.
Exemplos desse movimento já são visíveis em centros de excelência como o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês e a Beneficência Portuguesa de São Paulo, que vêm ampliando sua atuação na área educacional, com cursos e programas de formação.
O grupo hospitalar Rede D’Or obteve também aprovação do Ministério da Educação (MEC) para abrir uma faculdade de medicina no Rio de Janeiro.
A tendência acompanha um cenário mais amplo: a necessidade de formar médicos com preparo cada vez mais alinhado às exigências tecnológicas e assistenciais contemporâneas. Nesse contexto, a participação de hospitais na formação pode representar um ganho importante, ao oferecer ao aluno vivência prática desde cedo e contato direto com estruturas de alta complexidade.
Infelizmente, o ensino de Medicina no Brasil deixa a desejar na qualidade em várias faculdades.
O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) prova anual para medir o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino avaliou ao todo, 351 cursos em 2025 e 30% ficaram na faixa considerada insatisfatória.
Sempre é bom lembrar que o Brasil não precisa de mais médicos, mas sim, melhores médicos.
A aproximação entre ensino e prestação de serviços exige atenção para garantir equilíbrio entre formação acadêmica sólida, autonomia crítica e interesses das instituições. A diversidade de experiências e visões sempre foi um dos pilares da educação médica — e deve ser preservada
Nesse cenário, o papel do Ministério da Educação é fundamental, assegurando critérios rigorosos de qualidade e acompanhamento contínuo. Já o Sistema Único de Saúde (SUS) segue como espaço fundamental de formação, sobretudo pela diversidade de casos e pelo compromisso com o atendimento universal.
Mais do que uma disputa entre modelos, o momento pede convergência. A ampliação dos cursos de medicina, quando bem regulada, pode ser parte da solução, desde que venha acompanhada de responsabilidade e compromisso com a qualidade.
É importante lembrar sempre que formar médicos não é apenas preparar profissionais. É, sobretudo, cuidar do futuro da própria saúde no país.

Daniel Padilla
Daniel Padilla é assessor de imprensa com 27 anos de experiência em comunicação corporativa, com atuação consolidada no setor de saúde. Ao longo da carreira, atendeu instituições como Hospital Sírio-Libanês, Hospital Leforte e Christóvão da Gama, além de empresas de outros segmentos, desenvolvendo forte expertise em relacionamento com a imprensa, produção de conteúdo e posicionamento institucional, sempre com presença ativa nas redações. Nos últimos anos, intensificou sua atuação no jornalismo de saúde, participando de coberturas como o Congresso Brasileiro de Cardiologia e desenvolvendo projetos com especialistas da área. Também esteve à frente da coluna Saúde & Tendências, que alcançou 13 mil visualizações de forma orgânica. Hoje integra o Portal Saúde e Tendências, iniciativa idealizada por Fernanda Lara e Flávio Morsoletto, com produção da equipe de engajamento do MPJ (Mais Pelo Jornalismo) e do I’Max. Agradecimentos especiais ao MPJ e ao I’Max, que fazem parte dessa trajetória.






